Editorias

OAB Rio ganha ação que proíbe plataforma de oferecer petições com IA

Entidade diz que serviço apresenta risco à ordem pública e à cidadania

Compartilhar:
petições com IA: Fachada branca do edifício sede do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, com logomarcas e o texto "CONSELHO FEDERAL".

A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Rio de Janeiro (OABRJ) obteve na Justiça Federal uma vitória no caso envolvendo a plataforma Resolve Juizado, que oferece a elaboração automatizada de petições por meio de inteligência artificial, mediante pagamento de R$ 20.

A entidade apresentou apelação para reverter decisão anterior no processo e conseguiu proibir a cobrança pelas petições disponibilizadas pela plataforma sem a participação de um advogado.

A plataforma disponibilizava aos usuários, mediante pagamento, uma petição inicial produzida automaticamente a partir das informações fornecidas.

Plataforma vendia petições com IA por R$ 20

Em ação, a OABRJ questionou a oferta do serviço por entender que a comercialização de documentos jurídicos dessa natureza, sem a participação de advogado, banaliza a atividade jurídica e pode induzir o cidadão a acreditar que está devidamente orientado para buscar seus direitos.

Histórico

A atuação da OABRJ contra a Resolve Juizado começou em abril de 2025, quando a Comissão dos Juizados Especiais Estaduais publicou nota de repúdio à comercialização das petições. No dia 30 daquele mês, a seccional obteve liminar da 27ª Vara Federal do Rio de Janeiro determinando a suspensão das atividades da plataforma e a retirada de conteúdos publicitários relacionados aos serviços oferecidos.

Em maio, a Justiça fixou multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento e determinou a retirada de publicações de divulgação da plataforma nas redes sociais e no WhatsApp.

Posteriormente, diante de decisão que permitiu a continuidade das atividades,  a OABRJ recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), pedindo a suspensão dos efeitos da decisão e sustentando que o funcionamento do serviço configuraria exercício ilegal da advocacia e representaria ameaça à ordem pública e à cidadania.

O procurador-geral da Seccional Rio, Marcos Luiz Souza, representou a OABRJ no caso e enfatizou que a discussão não é sobre o emprego de ferramentas tecnológicas na atividade jurídica, mas sobre a transformação de um serviço jurídico em produto comercial oferecido diretamente ao cidadão.

Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil

Leia também

Comunidade

Quer participar da conversa? Faça o seu cadastro rápido e gratuito.

Fazer Login / Criar Conta

Mais notícias

Política

PL, partido de Flávio, reconhece vitória de Lula nas eleições

Presidente do partido não menciona argumentos de Flávio Bolsonaro

Justiça

TRE-BA revoga ordem de prisão de secretário de Mobilidade de Salvador

Revogação não elimina necessidade de apurar falta de ônibus no domingo

Política

Moraes manda Flávio entregar passaporte e o proíbe de deixar o país

Decisão está em segredo de Justiça e foi divulgada pelo senador

Política

PF registrou 86 casos de possíveis crimes eleitorais no 2º turno

Ocorrências foram em 21 unidades da federação

Brasil

Em São Paulo, três municípios escolhem novos prefeitos

Eleição suplementar ocorreu em Macedônia, Martinópolis e Narandiba

Política

Votação de Lula é a maior já recebida por um presidenciável no país

Presidente reeleito obteve mais de 64 milhões de votos

Rolar para cima