O surto de ebola que teve início em meados de maio já deixou 1.001 pessoas mortas na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira (22). Nos últimos 50 anos, o vírus matou mais de 15 mil pessoas no continente africano.
Na República Democrática do Congo, onde o surto foi declarado em meados de maio, morreram já 999 pessoas, em um total de 2.473 casos confirmados.
No território ugandês, estão confirmadas duas mortes em 20 casos positivos para a infecção causada pelo vírus Bundibugyo, para a qual não há vacina ou tratamento.
As autoridades de Uganda declararam, na semana passada, não haver registro de novos casos ativos, mas informaram que só poderão decretar o fim do surto após um mês sem novos casos positivos.
Na RDC, de 2018 a 2020, o ebola fez cerca de 2,3 mil mortes e 3,5 mil casos. O atual surto é o 17º a ser declarado no país.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde o início de julho está em curso um ensaio clínico com dois tratamentos para esse tipo raro da doença, detectado nos dois países africanos.
A organização anunciou ainda um primeiro estudo, encabeçado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, sobre a segurança da vacina ChAdOx1, além de ter autorizado o primeiro teste de diagnóstico molecular do vírus.
O epicentro do surto é Ituri, no Nordeste do Congo, que faz fronteira com Sudão do Sul e Uganda. A província soma 89,1% das infecções e 83,9% dos casos fatais.
“A epidemia continua um passo à frente e ainda estamos em fase de tentar acompanhar a sua progressão”, reconheceu a partir de Genebra Thierno Baldé, responsável pela gestão de incidentes da OMS para a República Democrática do Congo.
“Algumas áreas, como Bunia (principal cidade da província de Ituri) e arredores, registram uma transmissão muito intensa”, observou.
O ebola foi igualmente detectado em mais quatro províncias, entre as quais Kivu do Norte e Kivu do Sul, cujas capitais e grande parte do território permanecem sob o controlo do grupo armado antigovernamental M23.
Entre as vítimas mortais do ebola, há registro de pelo menos 189 crianças – a organização Save the Children aponta para que cerca de 476 tenham contraído a doença desde maio.
A ONG tem oferecido apoio psicossocial a mais de 4 mil crianças em Ituri.
“As crianças em Ituri carregam um enorme fardo emocional. Muitas testemunharam violência, perderam entes queridos para o surto de ebola ou foram obrigadas a vários deslocamentos”, observou na terça-feira (21) Babou Rukengeza, coordenador da resposta ao ebola da Save the Children, na RDC.
“Espaços seguros oferecem a elas um ambiente onde podem se expressar, recuperar a confiança e simplesmente voltar a ser crianças”, acrescentou.
O ebola é transmitido por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, provocando febre hemorrágica, vômitos, diarreia e hemorragias internas.
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